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Artigo | Alimentação na escola: estamos falando de Educação!

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Por Cláudia Tricate*


Obs.: Seguimos rigorosamente nosso protocolo, que prevê o uso cotidiano de máscaras a partir dos 2 anos. Nas fotos usadas para ilustrar esse texto, utilizamos imagens anteriores à pandemia.

Desde os primeiros meses de vida, a boa alimentação dos filhos é uma das maiores preocupações das famílias. São muitas as questões: "Meu filho não come frutas e legumes!", "Como fazer uma lancheira balanceada?", "Eles só querem doces e frituras!". É verdade: por muitas razões, a boa alimentação é mesmo um desafio a ser vencido, mas… por todos nós. Muitas vezes, esquecemos que, tanto quanto as crianças e os adolescentes, os adultos enfrentam problemas quando se trata de comer bem e de forma saudável.

Por que isso acontece? Bem, no fundo de tudo está sempre a Educação. Esqueça os sermões, os discursos, os castigos. Educação alimentar, do ponto de vista da Escola, significa algo bem mais amplo: dar bons exemplos, reconhecer que o prazer é parte inerente da alimentação, entender que é a variedade de experiências, ao longo do tempo, que vai formar bons hábitos alimentares.

É um equívoco, portanto, partir do princípio de que as crianças são sempre resistentes. Quem não é? Apenas aqueles que cresceram aprendendo a gostar da variedade de sabores, a reconhecer a diversidade de possibilidades de termos prazer em comer. 

Admitir esse princípio implica também reconhecer que aprender a comer é aprender a ter prazer em se alimentar – e isso não se consegue obrigando seu filho a mastigar aquela escarola. Ao contrário, decidir o que vai ou não vai goela abaixo é um dos atos mais extremos de livre arbítrio de uma pessoa. Ninguém nos obriga a comer o que não queremos, sem consequências.

Hábitos são construídos ao longo do tempo, com paciência e amor. Os primeiros bocados, quando começam a ser introduzidos os alimentos pastosos, já merecem nossa atenção. Diversidade é a palavra-chave. Mesmo para o bebê que não come e logo cospe aquele alimento estranho, ir aos poucos sentindo diferentes sabores e texturas na boca amplia as possibilidades futuras de uma forma mais saudável de se relacionar com a comida.

A relação com o alimento nos acompanha, ao longo da vida, e será sempre vital. Pobre de quem engole a comida de um bocado só e nem sente o seu sabor! Ou de quem não se aquece com a lembrança daquele prato preferido na infância.

Por isso, toda instituição educativa precisa entender a importância da alimentação escolar, concebendo este serviço como um ato educativo da mais elevada prioridade. Assim sempre foi no Magno/Mágico de Oz. Mais recentemente, chegamos ao ponto alto desse movimento ao instituir o projeto Educar pelo Sabor.

Criado e coordenado pelos chefs Júlia Tricate e Gabriel Coelho, ambos premiados e com experiência internacional, o projeto introduziu um novo padrão de educação alimentar na Escola, unindo a boa gastronomia e os princípios de nutrição.

No Brasil, não há nenhum tipo de diretriz que oriente escolas quanto ao padrão alimentar oferecido aos alunos. Quando há, só olha para o aspecto nutricional. Neste projeto, a ideia é que a escola auxilie na definição dos hábitos alimentares de crianças e adolescentes a partir de uma lógica simples: a de que a comida servida nos restaurantes dos colégios deve, sim, ser saudável, mas sem deixar de ser saborosa e atrativa, com variedade e equilíbrio. Os alunos são convidados sempre a experimentar os alimentos, para só então definir se gostam ou não.

Iniciado há três anos, o projeto está consolidado. Quem vier a um de nossos três restaurantes não verá açúcar adicionado aos sucos. Frituras e doces aparecem apenas em alguns momentos específicos. Não há embutidos e ultraprocessados. As saladas, a exemplo de todo o cardápio, são criativas e diversificadas.

A cozinha também se integra ao movimento da Escola em direção a uma vida mais sustentável. As sobras alimentam uma composteira, que segue para a horta orgânica da Escola, cuja produção retorna à cozinha. Assim, dentro da proposta, a comida do Magno é muito nutritiva, sim, mas também saborosa, sustentável – e, especialmente, educativa.


* Cláudia Tricate é pedagoga, psicóloga, mestre em Psicologia e diretora pedagógica do Colégio Magno/Mágico de Oz.

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